Manilha é o nome dado aos tubos cerâmicos cilíndricos utilizados principalmente na condução de águas residuárias, esgotos sanitários e águas pluviais. Alguns tipos de manilhas também podem ser utilizadas para revestimentos de chaminés e para condução de tubulação subterrânea de rede elétrica e telefônica. A maioria dos tubos cerâmicos encontrados no mercado é do tipo ponta e bolsa, ou seja, uma das extremidades do tubo possui um segmento de diâmetro maior (bolsa) onde outro tubo é encaixado (ponta). Essa encaixe pode ter junta rígida, semirrígida ou elástica. A junta rígida normalmente é obtida com o uso de adesivos para unir a ponta de um tubo com a bolsa de outro. Na junta elástica, a ponta de um tubo é encaixada na bolsa de outro tubo ou conexão e a estanqueidade da ligação é garantida por um anel de vedação, posicionado em sulco apropriado situado na bolsa. Assim como as demais tubulações, existem peças e acessórios específicos para realizar a ligação entre os tubos.
Segundo Petrucci (1975), a fabricação desse produto é feita de modo que o cozimento da matéria prima é levado até a temperatura de fusão incipiente. Após, os produtos são vidrados em banho especial de silicatos metálicos com recozimento, a fim de proteger o material da ação de águas agressivas. Os tubos podem ser vidrados apenas internamente ou interna e externamente. Os tubos de grés são moldados por extrusão e depois da secagem é lançado cloreto de sódio no interior do forno, o qual produz sobre a superfície das peças uma camada mais avançada de material vitrificado.
A norma que trata de tubos cerâmicos para canalizações é a NBR 5645. Os diâmetros de 75, 100, 150, 200, 250, 300, 375, 400, 450, 500 e 600 mm são os normatizados para esse tipo de tubo e o comprimento das peças varia de 600 a 2000 mm. A espessura das paredes dos tubos varia entre 9 e 26 mm de acordo com o diâmetro.
A NBR 5645 estabelece vários critérios de qualidade a que os tubos cerâmicos devem obedecer, entre os quais a resistência mínima que devem apresentar quando submetidos ao ensaio de compressão diametral, ou seja, um ensaio que comprime o tubo no sentido do seu diâmetro, descrito na NBR 6582, conforme tabela abaixo:
Diâmetro Nominal do Tubo (mm) |
Resistência mínima (N/m) |
75 |
15000 |
100 |
15000 |
150 |
15000 |
200 |
15000 |
250 |
16000 |
300 |
17000 |
350 |
19000 |
375 |
20000 |
400 |
22000 |
450 |
25000 |
500 |
28000 |
600 |
35000 |
Tabela 13: diâmetro e resistência do tubo cerâmico
Fonte: NBR 658
Nenhum tubo deve romper com valor de resistência menor que 90% do especificado. Caso isso ocorra, o lote de onde saiu o tubo ensaiado deve ser rejeitado. A NBR 5645 limita também a absorção de água máxima para tubos cerâmicos, que não pode ultrapassar 10%, sendo o ensaio para determinação da absorção descrito na NBR 7529. A permeabilidade dos tubos também é limitada pela NBR 5645, segundo a qual um tubo submetido a uma pressão hidrostática interna de 70 Kpa (quilo pascais) durante um intervalo de tempo que varia de 7 a 15 minutos (de acordo com a espessura do tubo), não deve apresentar vazamentos em sua parte externa.
Os tubos cerâmicos também devem resistir à ação química de águas agressivas, sendo que a perda de massa sob a ação de ácidos não deve ser maior que 1% da massa inicial da amostra submetida ao ensaio descrito na NBR 7689.
Além disso, o tubo deve trazer gravadas as informações de diâmetro nominal, tipo de tubo, nome do fabricante e data de fabricação. A figura abaixo apresenta alguns exemplos de tubo cerâmico.
